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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Carta de amor

Quando o amor é sincero, não precisa de testemunhos, ele basta por si. Quando o amor nos sustenta, e vem lá do fundo do que somos, e vai crescendo a cada momento em que há um beijo, em que há um sorriso novo e um abraço mais profundo, esse amor é como uma ponte entre o que somos e o outro é, sem que nenhuma das partes se aperceba que está a ser, em toda a sua plenitude, o que de melhor se consegue ser, de forma livre, expontanea.
Gostava de saber mais palavras bonitas, em que as próprias palavras se desprendessem da sua limitação, e se elevassem ao ponto de encontro onde o que sinto por ti é maior do que tudo o que poderás imaginar, sentir ou até mesmo acreditar… À falta dessas palavras que não existem, escrevo estas que, com sentido para ti ou não, são as que tenho em forma de sentimentos.
Gostava só de te contar que um dia tu chegaste à minha vida, e que o que pensei ser inútil passou a ser essencial, e o que pensei ser essencial, passou a ser inútil. Gostava de te contar que no dia em que te senti entrar em mim, foi como mergulhar na mais profunda essência da liberdade. A liberdade de amar sem rédeas e sem medidas pré concebidas.
Posso até dizer-te que amo o teu sorriso, a tua forma de estar, a forma como me olhas ou o teu jeito despreocupado. Posso dizer te ainda que o teu olhar doce me destrona, que quando me tocas as vezes tremo e que o teu sorriso faz me feliz… mas o que queria realmente dizer te, não consigo. Não porque não tente, mas porque ainda não sou capaz de faze-lo por palavras.
Posso dizer que te amo, mas…o meu amor por ti não cabe nessa palavra. Ainda assim, vou dize-lo…Amo-te.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Entre cinzas e chamas

Começa tudo na chama da lareira, onde o copo de vinho termina apenas quando a noite acaba.
Lentamente as brasas consomem-se entre si e a cinza nasce para lembrar que, por muito forte que seja o lume, ele acabará por se resumir a isso mesmo…cinza.
No abismo da luz da chama, a tua voz quente incendeia o escuro da noite e relembra tempos que ainda não foram. O passado fica à frente e o futuro lá atrás, da montanha fria da incerteza.
Saberei mais do que o lume me faz sentir, mas serei menos que a cinza. Pó. Nada…
E entre as cinzas que deslumbro, renasce a visão de um mundo meu, onde ando perdida e encontrada pelo que tu e os outros me fazem ter de ser, por entre os dedos da imaginação.
E assim vou brincando com as palavras e com a chama do fogo, como se nada me tocasse para além da carne…para além do que permito em mim ser verdade em mentiras que me fazem seguir como sendo verdades absolutas.
Conseguirei ser eu, mesmo sendo eu a sombra de alguém que por mim tenha passado?...