Podia fingir que vivo num mundo bonito, até mesmo quase
perfeito, mas não, prefiro a realidade verdadeira do que qualquer outra
inventada, seja ela bonita ou não. Quero a verdade das palavras que são ditas
com o coração, sem interrupções constantes da mente, que tanto nos dá respostas
como nos faz criar uma espiral de questões sempre procuradas ao longo do
caminho e quase nunca sem respostas concretas simples ou assim-assim.
Não somos perfeitos. Somos obras quase do acaso. Do acaso da
vida de cada um, do seu percurso. Por isso não lamento o que existe, dentro
e/ou fora de mim. As coisas são o que são, têm o valor que têm e não adianta
pintar por cima com cores mais bonitas. Essa tinta acaba por ir sumindo ao
longo do tempo, à medida que o tempo passa por nós ou à medida que nós
passamos pelo tempo, o nosso tempo, que existe e deixa de existir no mesmo
preciso momento em que tomamos consciência dele. Como se o “agora” existisse.
Não existe nada! O que existe é a vontade, ou falta dela, em construir novos
caminhos e aceitar o que cada um nos pode oferecer, quer isso nos faça sorrir
ou chorar, mas que no fundo, o que verdadeiramente importa, são as verdades que
neles existem e nos fazem crescer e fazer ser um poucos melhores, para nós
mesmos e com os outros.
Quando não conhecemos o caminho, sentimos medo, porque não
sabemos o que haverá para além do que conseguimos visualizar de imediato, mas
há alguma coisa que nos obrigue a viver numa sala inconstante? Não. Então
talvez valha a pena arriscar. Abrir bem os olhos e encher o peito de coragem e
seguir em frente, mesmo não sabendo o que nos espera. Antes isso, correr esse risco,
do que nos mantermos numa sala fechada onde tudo já foi visto, onde tudo já foi
feito, onde tudo já foi dito….Onde as palavras se encontram gastas e sujas pelo
tempo.
Somos seres imperfeitos, resultado do que a vida fez de nós.
Eu serei apenas só mais um caso inacabado, que tentou e não conseguiu, que arriscou
e não consegui, mas que ao menos tentou.