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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Porque todas as coisas têm sentido só em quanto existem…

Porque todas as coisas têm sentido só em quanto existem…
Evitar falar do que é real e consistente, palpável neste  mundo do “faz de conta”,  porquê?..
E cá por dentro, nas entranhas da floresta negra em que nos escondemos de nós mesmos…
Distração ensaiada sob os cenários do filme que vai passando entre os nossos olhos que, por vezes, se ofuscam com a luz que termina no ponto de partida do que somos.
Talvez seja o despertar do que à minha volta já adormeceu….

domingo, 21 de novembro de 2010

Prende-me...nesta eterna liberdade de te sentir voar em mim!
Viajem vertiginosa até ao centro do CAOS que, serenamente me embala na luz que brilha dentro de ti!...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Todas as palavras se escrevem com o teu nome...
Todas as paisagens reflectem o teu olhar...
Todos os aromas cheiram ao teu cabelo...
Tudo o que me toca traz-me o teu toque...
Tudo o que ouço tem o timbre da tua voz...
Tudo o que provo tem o sabor da tua boca...
Tudo o que sinto tem a suavidade da tua pele...
E quando "acordo", olho e tu não estás,
A única coisa que desejo é voltar a adormecer,
Para que te possa sonhar eternamente...
Para que te possa amar eternamente.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Fuga

Não tenho certezas, tenho contradições.
Tenho a alma em fúria a colapsar com o pensamento
que se estagna e se demora em lembranças.
O mundo começou a girar mais depressa , a vida acontece a um ritmo alucinante e sinto que não sou capaz de acompanhar.
É como se estivesse em todo o lado e não estivesse em lado nenhum!
Tudo mudou de sentido e sinto-me a percorrer caminhos em sentido contrário.
Fujo dos meus próprios pensamentos, sentimentos, angústias, medos, revolta...
Fujo e corro...corro...corro, e vou a ver, e não saio do mesmo lugar.
Sinto-me cansada...tão cansada!
Passo os dias a sonhar, quando nem sequer consigo dormir!
O meu olhar perde-se a olhar espaços vazios e, os que não são, ficam.
Fico embriegada em cheiros, em sons, imagens, ecos...
Não acredito ter ambiconado demasiado...
Seja como for, muito ou pouco, ficou perdido.
Também eu me sinto perdida...
Há momentos em que me encontro:
Entre as pedras da calçada, entre o rebentar das ondas, entre o zumbir do vento...nos silêncios entre o barulho da multidão.
Enfrento um mundo novo, com outras cores e outros sabores.
Ainda tudo me sabe a amargo e , o que não é amargo, tem um sabor e texturas que ainda não aprendi a decifrar.
Não tenho vontade de me olhar ao espelho...
O reflexo não sou eu..és tu.
Deixei de morar e mim...fiz de ti a minha casa, o meu espaço, o meu refúgio.
Ofereci o que sou e tudo o que vejo agora és tu.
Sai de mim!
Não te podes limitar só a deixar a minha vida...
Pára de me beijar, de me abraçar...pára de me adormecer e de me acordar.
Pára de olhar para mim e de falar para mim.
Pára de me amar....
Devolve-me o ar, preciso respirar...preciso de viver.
Preciso de reaprender a viver.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O erotismo da paixão

Olha para mim...
Consigo ver no brilho do teu olhar o reflexo dos meus olhos.
Consigo sentir a palpitação do meu coração como se estivesse na minha garganta!
Abraço-te...e agora consigo sentir no meu peito, o teu peito, com o teu coração num desatino a bater em fúria!
Abraço-te com mais força, como se fosse uma tentativa de te fazer conseguir entrar em mim...
Um abraço é demasiada distância para o quanto te desejo perto.
Não te quero só perto, todo o perto é demasiado longe.
Quero-te dentro de mim.
Abraça-me...
Abraço-te...
Sinto o calor do teu corpo a fundir-se com o do meu, numa mistura quase explosiva!...
A tua respiração ofegante confunde-se com a minha...
Pego nas tuas mãos e sinto-as suar, tal como as minhas.
Aperto-as...quero dizer-te qualquer coisa, mas não consigo!...
Encostas a tua cabeça ao meu ombro, com a tua boca colada ao meu pescoço...
Sinto o bafo quente, que me causa arrepios intercalados com calores súbitos que quase me fazem perder os sentidos!...
A tua língua ganha ousadia e sinto-a percorrer o meu pescoço, em direcção ao meu ouvido.
A tua respiração...sim..a tua respiração transtorna-me e causa-me um certo desatino, agora que a sinto ainda mais perto...
Agarras-me o rosto, continuas com a tua boca colada ao meu ouvido,e sussurras-me baixinho, numa voz quente e deliciosamente transtornada:
"QUERO-TE!"
Afastas lentamente o teu rosto do meu, deslizando na minha pele...
Olhos nos olhos, outra vez.
Continuas com  olhar brilhante e eu a ver o reflexo dos meus olhos nos teus...
Sorris....
Sorrio....
Levo a minha mão ao teu rosto...
Com a ponta dos meus dedos faço-os deslizar, ternurentamente, pela tua face, até chegarem aos teus lábios, onde me obrigo a parar e a tornear as suas formas, como se tivessem sido desenhados...
São vermelhos, suaves e estão ligeiramente molhados...
( APETECES-ME!) Penso....e tu lês-me o pensamento.
Aproximas-te, a tua boca fica agora a roçar pela minha...
Não me beijas já...sentes os meus lábios nos teus e eu continua a sentir o teu toque e a tua respiração acelerada!...
Sinto-me numa euforia de sensações e sentimentos!
Não aguento mais....
Beijo-te!
Finalmente a tua boca se confunde com a minha, numa troca de saliva tão doce quanto o teu olhar...
Beija-me agora...
Beija-me depois...
beija-me mais um pouco...
Beija-me para sempre!

Sonolência

Deixa-me amar-te...preciso dar-te um pouco de mim, o que de melhor há em mim.
Sinto medo, não sei do quê nem porquê.
Sinto a minha alma a arrastar-se pelo chão frio do vazio, implorando um pouco do teu amor!
Não sei qual a razão de tanto amor por ti, não sei porque me sinto tão viciada em ti...
Não sei...
Mas quero-te tanto...Tanto!
Apetece-me gritar e chorar, mas os meus gritos são mudos e as minhas lágrimas já as chorei todas.
Queria tanto estar contigo agora...dizer-te tudo o que significas para mim e o quão especial és... Sinto-me impotente perante a razão.
...A sonolência acalma os meus sentidos...
Fecho os olhos, deixo o meu pensamento esvaziar...
Sinto a calma a apoderar-se de mim e deixo-me levar pela leveza do silêncio inebriante.
O meu espírito flutua agora na imensidão do meu interior.
É tão vasto, tão vazio...
Por todo o lado há nada. Para onde quer que olhe só vejo mesmo isso: nada!
Julguei que fosse encontrar mil e uma coisas, baralhadas e indestiguiveis, mas afinal, encontro aquilo que a minha alma insistia em dizer-me e eu recusava ouvir (...)
E agora sinto o verdadeiro vazio da mina insignificante existência.
Como posso acreditar na felicidade se tudo em mim se desvaneceu por completo?...
...Abro os olhos lentamente, agora vejo mais cores além do preto e do cinzento...
Volto a ver as paredes do meu refúgio, a sentir a cama onde todas as noites repouso o cansaço do meu corpo e da minha alma.
É bom voltar a ver o meu quarto e saber que, ao menos ele, não está tão vazio quanto eu...
Subitamente, começo a pensar novamente na razão da minha inquietude dolorosa...
Relembro-te a ti, meu anjo, e só agora consigo entender o porquê do meu vazio.

( Concurso Katarsis, escola Sec. Severim de Faria, 2001/2002 )

Enigma

Olho para os seus olhos
E ele esconde a cara.
Dou-lhe um sorriso...
E ela pára.
Estendo os braços
Para poder-lhe tocar,
Ela recua,
Mas continua a olhar.
Dou um passo
Em sua direcção,
Ela tenta fugir,
Mas agarro-lhe a mão!...
As suas mãos tremem
E as minhas também...
Mãos como as dela
Nunca vi em ninguém!
Os seus dedos delicados
Começam-me a tocar...
Os meus lábios cansados
Estão a acariciar.
O meu espanto
Maior ainda ficou,
Quando ela me deu os seus lábios
E depois me beijou!...
Algo de estranho
Estava a acontecer...
Porque me beijou ela?
Não consigo compreender!
Voltou a olhar-me...
Deu-me um sorriso.
E naquele lugar ficou para sempre o frio...
E no meu olhar...
Apenas o vazio.

( Concurso Katarsis, escola sec. Severim de Faria, 2001/2002 )

Vício

Sentes-te em baixo, farta de tudo e de todos!
Olhas-te ao espelho e sentes-te nojenta...
O teu corpo começa a gritar o nome daquela merda!
Queres resistir mas o desejo é superior.
O vício já está em ti, e o atordoamento começa a vir...
Sentes a cabeça a querer estoirar!
No pensamento só tens cenas maradas!
Algumas delas são o motivo da tua entrada neste mundo estranho:
O desaparecimento do teu pai...
A vida cruel que a tua mãe teve para te criar...
Aquela desilusão, e outra, e ainda mais outra.
E o desespero leva-te à cobardia.
Não tens poder sobre ti mesma.
Desenrolas a prata, começas a preparar as cenas...
...
E já está feito aquilo que te vai dar vinte minutos de descanso.
Acendes.
Dás uns bafos.
Sentes a dormência a percorrer o teu corpo,
e lá vais tu mais uma vez para aquele mundo maravilhoso.
Passam os vinte minutos e o descanso acabou.
Voltas à realidade que odeias,
mas desta vez a dor é maior...
Não queres viver mais assim!
Abres a janela do teu quarto.
Estás num terceiro andar bem alto.
Em quinze segundos revês a tua curta vida...
Olhas lá para baixo, e num impulso,
atiras-te à eternidade.

( Monólogo realizado para peça de teatro, na escola Sec. Severim de Faria, 2000/2001 )

BIS

Cala, sente
Escuta-o...
Não mente.
Chora, vê.
Lembra-te...
Outra vez.
Olha, grita!
Calor, frio.
Margem...
Medo...
Dor!
Sentir.
Querer.
Sonhar...
Viver!

( Concurso Katarsis, escola Sec. Severim de Faria, 2001/2002 )

Interrogatório

- A morte, o que é?
- Um nada infinito para onde vais quando perdes a fé.
- A vida... o que será?!
- Outro nada que no futuro acabará.
- Tu, és o que?...
- Sou um anjo protector que ninguém vê.
- E eu, o que sou?...
- Alguém que morreu por amar quem nnca te amou....

( Concurso Katarsis, Escola Sec. Severim de Faria, 2001/2002 )

Êxtase

Deixa-me percorrer o teu corpo como a lua faz com as planícies quando acorda,
deixa-me sussurrar-te ao ouvido as palavras de amor que só se ouvem com a alma,
deixa-me sentir o aroma dos teus sonhos e mergulhar nos teus mais íntimos desejos!
Quero levar-te com o culminar dos sentidos ao grande êxtase!
Quero fundir os nossos corpos até sermos uma só alma,
e mergulhar nos teus olhos até conseguir alcançar a pureza do teu sentir!


( Concurso Katarsis, Escola secúndária Sverim De Faria, 2001/2002 )