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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

SR. Saber

Não sei dizer mais do que digo…


Nesta espera do dia, em que a noite,

Se desfaz no deslumbrar de um sorriso

Que passe e me trespasse,

Numa inquietude estabilizada pelo saber de um amanha certo.

Poderia dizer coisas que não sei…

Mas se eu falar do azul, sendo ele cinzento,

Não me farei sentir no Dezembro em que me encontro.

Atrevo-me a falar através da alma, para a alma…

Sabes, Sr. Saber,

Não quero a perfeição…

Quero apenas entender porque nada é perfeito.

Não posso ser mais do que serei,

Nem posso querer mais do que consigo suportar.

Levo na bagagem a solidão dos vagabundos,

O coração cheio da luz de todas as estrelas que já pude contemplar,

Através deste olhar que sustem as lágrimas de um sentir intenso da magia de todos os dias,

De todas as noites, de todas as horas…

Estou em qualquer lado,

Neste mapa das verdades feitas mentiras,

Das mentiras camufladas, feitas verdades.

Falo de mim,

Porque dos outros eu não sei o que sei de mim…

Não quero ser os olhos que só vêm…

Quero talvez apenas ser os olhos que contemplam e filtram o que me possa tornar mais completa,

Nesta humilde forma de como vejo, sinto e vivo,

Para além de mim, mas para mim.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Shiuuu....

Shiuuu...
Consegues ouvir-me?
Ouve-me entre as pausas da minha fala,
Nos silêncios caóticos que se propagam pela minha expiração...
Inspiro...
Os pulmões enchem-se da primavera que invento ao lembrar o que não vivi.
Sorrio...
Fico feliz por instantes que me sabem a frutos silvestres e cheiram a jasmim.
Vejo uma folha seca a cair de uma árvore que se despe lentamente...
Consigo ouvi-la a cair no chão molhado da chuva que ainda há-de chover.
Shiuuu...
Ouve agora o vento.
Nele existe o segredo que te quero sussurrar ao ouvido...
Mas só depois de saberes ouvir o meu silêncio.

Agora apaga a luz.
Vamos dormir um pouco...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Rasga-me a pele!

Rasga-me a pele!

Fere-me os ossos!

Mastiga-me a alma e cospe me o sangue!

Aconchega me no teu grito..o meu grito…de tão só quanto fiel e embriagada…

Neste teu choro, que é o meu choro, num suplicio que me mata e ressuscita, antes e depois do que sou ou do que és…

Abre e escolhe…Todas as cores são nossas porque todas juntas são o negro do que sou no fundo do que sinto e do que tenho….AAAAHHHH! Grita o meu nome e ajoelha-te sobre os meus pés! O meu rosto…que pisas na doçura interminável do meu olhar cego que por ti olha… na angustia das palavras que nunca foram ditas e no silêncio ensurdecedor que nunca foi quebrado!

Como fénix, o ressuscitar das cinzas! Porque o silencio é a minha voz. Porque a minha voz não é um som…é o vazio no brilho de um ultimo olhar.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Porque todas as coisas têm sentido só em quanto existem…

Porque todas as coisas têm sentido só em quanto existem…
Evitar falar do que é real e consistente, palpável neste  mundo do “faz de conta”,  porquê?..
E cá por dentro, nas entranhas da floresta negra em que nos escondemos de nós mesmos…
Distração ensaiada sob os cenários do filme que vai passando entre os nossos olhos que, por vezes, se ofuscam com a luz que termina no ponto de partida do que somos.
Talvez seja o despertar do que à minha volta já adormeceu….

domingo, 21 de novembro de 2010

Prende-me...nesta eterna liberdade de te sentir voar em mim!
Viajem vertiginosa até ao centro do CAOS que, serenamente me embala na luz que brilha dentro de ti!...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Todas as palavras se escrevem com o teu nome...
Todas as paisagens reflectem o teu olhar...
Todos os aromas cheiram ao teu cabelo...
Tudo o que me toca traz-me o teu toque...
Tudo o que ouço tem o timbre da tua voz...
Tudo o que provo tem o sabor da tua boca...
Tudo o que sinto tem a suavidade da tua pele...
E quando "acordo", olho e tu não estás,
A única coisa que desejo é voltar a adormecer,
Para que te possa sonhar eternamente...
Para que te possa amar eternamente.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Fuga

Não tenho certezas, tenho contradições.
Tenho a alma em fúria a colapsar com o pensamento
que se estagna e se demora em lembranças.
O mundo começou a girar mais depressa , a vida acontece a um ritmo alucinante e sinto que não sou capaz de acompanhar.
É como se estivesse em todo o lado e não estivesse em lado nenhum!
Tudo mudou de sentido e sinto-me a percorrer caminhos em sentido contrário.
Fujo dos meus próprios pensamentos, sentimentos, angústias, medos, revolta...
Fujo e corro...corro...corro, e vou a ver, e não saio do mesmo lugar.
Sinto-me cansada...tão cansada!
Passo os dias a sonhar, quando nem sequer consigo dormir!
O meu olhar perde-se a olhar espaços vazios e, os que não são, ficam.
Fico embriegada em cheiros, em sons, imagens, ecos...
Não acredito ter ambiconado demasiado...
Seja como for, muito ou pouco, ficou perdido.
Também eu me sinto perdida...
Há momentos em que me encontro:
Entre as pedras da calçada, entre o rebentar das ondas, entre o zumbir do vento...nos silêncios entre o barulho da multidão.
Enfrento um mundo novo, com outras cores e outros sabores.
Ainda tudo me sabe a amargo e , o que não é amargo, tem um sabor e texturas que ainda não aprendi a decifrar.
Não tenho vontade de me olhar ao espelho...
O reflexo não sou eu..és tu.
Deixei de morar e mim...fiz de ti a minha casa, o meu espaço, o meu refúgio.
Ofereci o que sou e tudo o que vejo agora és tu.
Sai de mim!
Não te podes limitar só a deixar a minha vida...
Pára de me beijar, de me abraçar...pára de me adormecer e de me acordar.
Pára de olhar para mim e de falar para mim.
Pára de me amar....
Devolve-me o ar, preciso respirar...preciso de viver.
Preciso de reaprender a viver.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O erotismo da paixão

Olha para mim...
Consigo ver no brilho do teu olhar o reflexo dos meus olhos.
Consigo sentir a palpitação do meu coração como se estivesse na minha garganta!
Abraço-te...e agora consigo sentir no meu peito, o teu peito, com o teu coração num desatino a bater em fúria!
Abraço-te com mais força, como se fosse uma tentativa de te fazer conseguir entrar em mim...
Um abraço é demasiada distância para o quanto te desejo perto.
Não te quero só perto, todo o perto é demasiado longe.
Quero-te dentro de mim.
Abraça-me...
Abraço-te...
Sinto o calor do teu corpo a fundir-se com o do meu, numa mistura quase explosiva!...
A tua respiração ofegante confunde-se com a minha...
Pego nas tuas mãos e sinto-as suar, tal como as minhas.
Aperto-as...quero dizer-te qualquer coisa, mas não consigo!...
Encostas a tua cabeça ao meu ombro, com a tua boca colada ao meu pescoço...
Sinto o bafo quente, que me causa arrepios intercalados com calores súbitos que quase me fazem perder os sentidos!...
A tua língua ganha ousadia e sinto-a percorrer o meu pescoço, em direcção ao meu ouvido.
A tua respiração...sim..a tua respiração transtorna-me e causa-me um certo desatino, agora que a sinto ainda mais perto...
Agarras-me o rosto, continuas com a tua boca colada ao meu ouvido,e sussurras-me baixinho, numa voz quente e deliciosamente transtornada:
"QUERO-TE!"
Afastas lentamente o teu rosto do meu, deslizando na minha pele...
Olhos nos olhos, outra vez.
Continuas com  olhar brilhante e eu a ver o reflexo dos meus olhos nos teus...
Sorris....
Sorrio....
Levo a minha mão ao teu rosto...
Com a ponta dos meus dedos faço-os deslizar, ternurentamente, pela tua face, até chegarem aos teus lábios, onde me obrigo a parar e a tornear as suas formas, como se tivessem sido desenhados...
São vermelhos, suaves e estão ligeiramente molhados...
( APETECES-ME!) Penso....e tu lês-me o pensamento.
Aproximas-te, a tua boca fica agora a roçar pela minha...
Não me beijas já...sentes os meus lábios nos teus e eu continua a sentir o teu toque e a tua respiração acelerada!...
Sinto-me numa euforia de sensações e sentimentos!
Não aguento mais....
Beijo-te!
Finalmente a tua boca se confunde com a minha, numa troca de saliva tão doce quanto o teu olhar...
Beija-me agora...
Beija-me depois...
beija-me mais um pouco...
Beija-me para sempre!

Sonolência

Deixa-me amar-te...preciso dar-te um pouco de mim, o que de melhor há em mim.
Sinto medo, não sei do quê nem porquê.
Sinto a minha alma a arrastar-se pelo chão frio do vazio, implorando um pouco do teu amor!
Não sei qual a razão de tanto amor por ti, não sei porque me sinto tão viciada em ti...
Não sei...
Mas quero-te tanto...Tanto!
Apetece-me gritar e chorar, mas os meus gritos são mudos e as minhas lágrimas já as chorei todas.
Queria tanto estar contigo agora...dizer-te tudo o que significas para mim e o quão especial és... Sinto-me impotente perante a razão.
...A sonolência acalma os meus sentidos...
Fecho os olhos, deixo o meu pensamento esvaziar...
Sinto a calma a apoderar-se de mim e deixo-me levar pela leveza do silêncio inebriante.
O meu espírito flutua agora na imensidão do meu interior.
É tão vasto, tão vazio...
Por todo o lado há nada. Para onde quer que olhe só vejo mesmo isso: nada!
Julguei que fosse encontrar mil e uma coisas, baralhadas e indestiguiveis, mas afinal, encontro aquilo que a minha alma insistia em dizer-me e eu recusava ouvir (...)
E agora sinto o verdadeiro vazio da mina insignificante existência.
Como posso acreditar na felicidade se tudo em mim se desvaneceu por completo?...
...Abro os olhos lentamente, agora vejo mais cores além do preto e do cinzento...
Volto a ver as paredes do meu refúgio, a sentir a cama onde todas as noites repouso o cansaço do meu corpo e da minha alma.
É bom voltar a ver o meu quarto e saber que, ao menos ele, não está tão vazio quanto eu...
Subitamente, começo a pensar novamente na razão da minha inquietude dolorosa...
Relembro-te a ti, meu anjo, e só agora consigo entender o porquê do meu vazio.

( Concurso Katarsis, escola Sec. Severim de Faria, 2001/2002 )

Enigma

Olho para os seus olhos
E ele esconde a cara.
Dou-lhe um sorriso...
E ela pára.
Estendo os braços
Para poder-lhe tocar,
Ela recua,
Mas continua a olhar.
Dou um passo
Em sua direcção,
Ela tenta fugir,
Mas agarro-lhe a mão!...
As suas mãos tremem
E as minhas também...
Mãos como as dela
Nunca vi em ninguém!
Os seus dedos delicados
Começam-me a tocar...
Os meus lábios cansados
Estão a acariciar.
O meu espanto
Maior ainda ficou,
Quando ela me deu os seus lábios
E depois me beijou!...
Algo de estranho
Estava a acontecer...
Porque me beijou ela?
Não consigo compreender!
Voltou a olhar-me...
Deu-me um sorriso.
E naquele lugar ficou para sempre o frio...
E no meu olhar...
Apenas o vazio.

( Concurso Katarsis, escola sec. Severim de Faria, 2001/2002 )

Vício

Sentes-te em baixo, farta de tudo e de todos!
Olhas-te ao espelho e sentes-te nojenta...
O teu corpo começa a gritar o nome daquela merda!
Queres resistir mas o desejo é superior.
O vício já está em ti, e o atordoamento começa a vir...
Sentes a cabeça a querer estoirar!
No pensamento só tens cenas maradas!
Algumas delas são o motivo da tua entrada neste mundo estranho:
O desaparecimento do teu pai...
A vida cruel que a tua mãe teve para te criar...
Aquela desilusão, e outra, e ainda mais outra.
E o desespero leva-te à cobardia.
Não tens poder sobre ti mesma.
Desenrolas a prata, começas a preparar as cenas...
...
E já está feito aquilo que te vai dar vinte minutos de descanso.
Acendes.
Dás uns bafos.
Sentes a dormência a percorrer o teu corpo,
e lá vais tu mais uma vez para aquele mundo maravilhoso.
Passam os vinte minutos e o descanso acabou.
Voltas à realidade que odeias,
mas desta vez a dor é maior...
Não queres viver mais assim!
Abres a janela do teu quarto.
Estás num terceiro andar bem alto.
Em quinze segundos revês a tua curta vida...
Olhas lá para baixo, e num impulso,
atiras-te à eternidade.

( Monólogo realizado para peça de teatro, na escola Sec. Severim de Faria, 2000/2001 )

BIS

Cala, sente
Escuta-o...
Não mente.
Chora, vê.
Lembra-te...
Outra vez.
Olha, grita!
Calor, frio.
Margem...
Medo...
Dor!
Sentir.
Querer.
Sonhar...
Viver!

( Concurso Katarsis, escola Sec. Severim de Faria, 2001/2002 )

Interrogatório

- A morte, o que é?
- Um nada infinito para onde vais quando perdes a fé.
- A vida... o que será?!
- Outro nada que no futuro acabará.
- Tu, és o que?...
- Sou um anjo protector que ninguém vê.
- E eu, o que sou?...
- Alguém que morreu por amar quem nnca te amou....

( Concurso Katarsis, Escola Sec. Severim de Faria, 2001/2002 )

Êxtase

Deixa-me percorrer o teu corpo como a lua faz com as planícies quando acorda,
deixa-me sussurrar-te ao ouvido as palavras de amor que só se ouvem com a alma,
deixa-me sentir o aroma dos teus sonhos e mergulhar nos teus mais íntimos desejos!
Quero levar-te com o culminar dos sentidos ao grande êxtase!
Quero fundir os nossos corpos até sermos uma só alma,
e mergulhar nos teus olhos até conseguir alcançar a pureza do teu sentir!


( Concurso Katarsis, Escola secúndária Sverim De Faria, 2001/2002 )

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

"Entre o espelho e a imagem reflectida"...
Tão depressa é a chegada como quase sempre é partida.
Se a tua viagem é em minha direcção,
os meus olhos ganham brilho à medida que anoitece;
Se a tua viajem já não é em meu encontro,
vai-se o brilho, toda a luz escurece.
Embora vá doendo devagar a tua ausência,
algo de ti, em mim, está sempre presente...
Podes ouvir do outro lado a minha voz triste,
mas acredita, que só por me amares
o meu coração vive contente.
...Há fases cruas, frias como a mármore...
que nos refundem e confundem dentro de nos...
Ás vezes por desejar tanto estar contigo e não poder,
só me faz querer andar e estar só!
Se ao menos pudesse gritar o vazio que me preenche,
nas horas eternas de saudade!...
Talvez o mundo pesasse menos,
e deixa-se de ouvir a mentira em vez da verdade...
Tantas vezes que se criam passos e repassos
em vidas que nos fazem viver,
só porque nos atingem com falsas verdades,
que nos matam mesmo antes de morrer!...
Se a vida são mais lágrimas que sorrisos,
então que as lágrimas tenham todo o valor.
Por ti, muito ainda posso chorar, mas acredita,
em cada lágrima existe um mar de amor.
Quando o amor não basta só por si,
então nem o muito nos vai chegar...
Quando disser que te amo, não olhes para a minha boca,
repara sim no meu olhar.
Quantos silêncios já ouviste e sentiste
depois da transpiração do amor?...
é aí que as almas se unem,
depois dos gemidos e do calor, meu amor...
"entre o espelho e a imagem reflectida"
Vais perguntar-me mais uma vez o que isto quer dizer.
Significa o ponto em que flutuo,
entre a tua essência ( a minha essência), a vida a viver.
Quando me voltares a ouvir triste, não fiques também.
Pensa antes na voz muda do coração...
Fecha os olhos...e mesmo estando longe,
estende os braços e da-me as tuas mãos.

Posso dizer que te amo?
...
Imagino-te...serena..
ficava aqui toda a vida, a olhar-te, apenas.
Passo os meus dedos ,suavemente,
pelo teu cabelo, pelos teus olhos, pela tua boca...
rendo-me ao que és
e, por vezes quase me sinto louca!...
Doce e terno sentimento
que me fazes sentir...
outras vezes, desejo, paixão, por momentos até um certo amor,
que tento não deixar, ainda, fluir...
Dorme...não acordes já
e permite-me a mim sonhar...
quero ficar aqui mais um pouco
só para te continuar a olhar.
Quando abrires os teus olhos,
abre docemente, devagar...
Vais ver os meus olhos, vidrados,
à tua frente, como duas estrelas a brilhar...
Deixa-me ficar aqui, só mais um pouco,
agora a olhar os teus olhos lindos...
tenta sentir o que tenho para te dizer, sem palavras,
apenas a olhar-me,sentindo...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

As vozes que calam para os violinos vibrarem, melódicamente, o atormentado chôro dos silêncios, tão vagabundos quanto verdadeiros...
A melodia, que suave e de ternura cheia, dá-se a ouvir...lentamente...compasso a compasso, vai crescendo numa doce dor que afaga os sentidos mais escondidos, entre as sombras do abismo secreto e sangrento!...
O vibrar das cordas que se espandem pelo meu corpo...passo a passo, abrem-se os braços, do desconhecido que me chama, que se aproxima e me abraça!
Abraça-me...abraça-me com força! Segura o meu corpo que a minha alma já partiu!
Aquece-me o sangue que insiste em continuar a passar pelo coração que bate já tão devagar...
Vou querer que me deixes...mas não me deixes já. Não sem antes conseguires sentir que a minha pele e os meus ossos, não são so pele e ossos, carne ferida pelo tempoque passou mas que me mastigou sem engolir!
Sou o que resta... nãoimporta mais o quanto valho ou o que ao certo sou...importa apenas esses violinos que choram as lágrimas que me secaram...importa o vibrar que, muito ou pouco me trazem a melodia viva de uma vida cheia, que embora dolorosa, me deu asas para poder voar.
Afasta agora lentemente o teu abraço quente do meu peito...deixa-me abrir as asas que já me fazem dores e chagas...abertas estendidas ao comprimento da vontade, sinto a leve brisa que me beija e me solta na corrente do vento, que me prende e me liberta!
Livre!....
Livre do tempo e presa à eterna melodia dos violinos tocados por anjos.
http://www.youtube.com/watch?v=px0mZYJ_4hQ

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Areias movedissas, oásis...
Mil cavalos a correrem em fúria frente a um mar exaltado pela força corectiva da natureza!...
Um todo que se esmaga sob as paredes do nada...Do nada que se enche do tudo quanto somos, queremos e sentimos!
Amor...depósito de desejos e anseios.
Ilusões...Verdades da alma que não passam do peito.
Verdade...não é um não querer, simplesmente é um querer que não posso.
Solta-se o grito!
De retorno so vem o eco...

m.j.blogue

http://www.youtube.com/watch?v=vQVeaIHWWck
Deixa-ma ir…
Quero encontrar-te onde já nos perdemos,
Nas horas ocas que podemos encher de tudo quanto quisermos.
A vontade é o que nos une quando tudo nos afasta.
Mas nada basta!
Arrastamo-nos por vezes,
Mas nunca desistimos.
“Os fracos não reza a historia!”
Quantas lutas já vencemos?
As horas que nos matam são aquelas que nos fazem sobreviver.

11 de Maio 2010

Colapso

tens o poder de me destronar (vozes)

rasgo as palavras e comunico pelo silencio que nem todos ouvem.
o barulho irrita-me, põe-me nervosa!
põe-me o cérebro a telintar!e no meio da confusão e do barulho...surge o SILÊNCIO! brinco com a ausência de som...brinco até ficar cansada, tão cansada que às tantas me deixo adormecer.
reconforto o meu cansaço, os meus ouvidos e a minha alma.
"o que é a alma?" - sei la!...mas isso agora também não importa!
ninguém quer saber ou se preocupa sequer em pensar nisso.
somos corpos vazios.(vazios...vazios...)
somos corpos vazios que fazem ruídos. (ruidos....ruidos...)
as almas ficaram escondidas e em silêncio.
os corpos ocos e barulhentos se desentendem.
comunicamos?
NÃO!
entramos em choque.
xiuuu... (xiuuu...xiuuuu...)
silêncio....

Sentir

sentir! porque sim, porque quero, porque gosto!
porque viver é sentir e não se sente quando se esta morto!
viver é sentir, sentir o bom e o mau, a alegria e a dor...
sentir que sim...sentir que não, mas sentir alguma coisa!
sentir que quero..sentir que não quero, que me faz mal, que me põe louca,
que me mal trata e me machuca!
sentir que me faz bem, que me faz ficar contente! sentir borboletas no estômago e
risos na cabeça!
sentir o corpo vibrar, estremecer, enlouquecer!
sentir tudo a andar a volta!
sentir-me perdida e encontrada!
sentir-me louca de tão sóbria viver!
sentir-me triste...vazia...sentir estilhaços no peito e a alma rasgada de medos!
sentir vontade de chorar, gritar!
sentir o nó na garganta, a agonia!
sentir vontade de partir tudo à minha volta!
sentir, sentir sentir!
sentir e querer sentir tudo o que possa sentir!
sentir tudo como se fosse a primeira vez...
sentir tudo como se fosse a ultima vez...
É so isso que quero..
SENTIR.

16 de Maio, Lisboa
O tempo não pára para nos, nos às vezes é que paramos no tempo.
Navios atracados por um iceberg em alto mar!...
Cada momento é um único momento, um momento que não voltará a repetir-se.
Que posso fazer a não ser guardá-los na minha memória?
Posso apenas fazer deles lembranças bonitas, inspirações para outros momentos que ainda não aconteceram.
Em cada momento que passo contigo, fazes com que deseje que o tempo pare... mas o tempo, inabalável, não pára!...
Mas eu paro, paro no tempo em cada vez que vais embora...e fico aqui, como um navio de lembranças bonitas, atracado em alto mar, preso pelo iceberg gelado da distância...

Suor, lágrimas e sangue

 

Traz a lenha, eu faço o lume
e aproveita em quanto arder..
depois do fogo só fica a cinza
e eu nunca fico lá para ver.
Lamento se trago comigo a desilusão,
lamento se não me consigo dar, continuamente!
lamento ter asas e não suportar qualquer prisão!
Lamento, principalmente, saber que nada dura eternamente!...
tudo o que vivo é um momento,
um momento que jamais volta...
talvez venha daí a minha insatisfação,
a minha dor omitida e a minha revolta!
A minha vida deixou de ter tempo para tentativas.
percorri mil e um labirintos,
mas em nenhum deles encontrei a tal saída...
Tanto tempo em que me senti sozinha, perdida!
largada num oceano de suor, lágrimas e sangue!..
Passados mil anos despertei para a vida,
ganhei asas, criei coragem, e saí daquele transe.
Agora, que me sinto livre,
não me tentem prender ao que quer que seja, não o irei permitir!
Mais uma vez, lamento..lamento qualquer coisa..
mas tenho a essência da vida por descobrir.
É COMO A ONDA QUE REBENTA!
O mar está calmo, sim..estranhamente calmo...não me sinto só, mas sinto-me com medo.
Quando permanece tão calmo, já sei que haverá um momento próximo em que algo despertará das águas profundas.
Sinto uma brisa leve, mas fria, a abraçar-me o corpo imóvel...sinto-me gelada!...
Porque não rasgas de vez as entranhas do mar e me consomes na tua fúria?!...
Ou...será que a fúria vem de mim?...Será que sou eu que me consumo e desejo mergulhar em ti?...entrar em ti com uma doce agressividade...sentir-me despedir de mim, ou pelo menos de uma parte de mim...
talvez seja alguma tristeza que fale. Sim, pode ser...e a tristeza entristece-me tanto!..Não! Eu não quero sentir-te aqui, comigo, dentro de mim. Não me sinto só, não...mas se é pela tua companhia que não o sinto, então que ande só, do que ter como companheira a tristeza.
São momentos. Momentos em que o mar parece estar sereno e, de repente, algo desponta!
As marés vêem e vão. Os sentimentos também..o que pensamos, por vezes também.
É como a onda que rebenta! Depois de rebentar, tudo volta à serenidade...
(...) lentamente, mas profundamente,
entre o espaço que deixava de existir
entre a minha boca e a tua boca...
entre a tua alma e a minha alma..
agora que sei a suavidade dos teus lábios,
o doce da tua boca,
como me liberto desta suave e doce dependência dos teus beijos?...

xiuuu.... não digas nada.. .da-me mais um beijo. (...)
Os teus dedos nos meus dedos...o encaixar sem deixar espaços entre eles. O teu toque...na ponta desses dedos que me entendem e conhecem em cada poro da minha pele. O cheiro adocicado dos teus cabelos que deslizam sobre o meu corpo, com beijos que me nutriam a alma, a cada sentir dos teus lábios, tão quentes e molhados, como tão puros com a verdade do que nos unia nos momentos de ternura, envolvidos por pétalas de amor!
O desejo ardente das horas que corriam sempre contra nós, com a violência da hipócrisia da noite escura dos outros, que nunca souberam o cheiro da chuva que nos molhou os sentidos...
Estou tão em ti que não me sentes, e estás tão distante de mim que só te consigo inventar, nesta procura constante do que sempre seremos dentro do meu pequeno mundo.
Os teus lábios pintados do vermelho do meu coração...o brilho dos teus olhos que reflectem o brilho do amor que me vem de dentro.
Dá-me as tuas mãos...Tenho as minhas à tua espera. Ainda não dançamos na nossa chuva...
Fico a olhar para algumas fotografias
Onde o passado e o futuro se tentam cruzar,
Mas não entendo de imediato
Tudo aquilo que poderão significar.
Há vozes na minha cabeça
Que aos poucos me tentam passar a mensagem,
Tudo aquilo pelo que temos passado
Não pode ter sido só uma miragem…
Corremos lado a lado
Caminhos cheios de tudo e cheios de nada
Onde nos quiseram roubar sonhos
E a nossa história de conto de fadas…
Quantas pedras nos jogaram
Para nos impedir de continuar?
Foram tantas que nem sei…
E é certo que algumas nos fizeram vacilar.
Arrancaram-se pedaços de alma
Pedaços de vida que eram nossos!
Apontaram-nos mil defeitos
E tantas vezes perguntamos: “então e os vossos?!”
Questionaram o inquestionável
Abusaram dos nossos sentidos
E tentaram a todo o custo
Fazer dos nossos sonhos sonhos perdidos.
Suportamos mais do que julgamos conseguir,
Choramos mais do que julgamos ser possível,
Sofremos mais do que devíamos ter sofrido…
Mas conseguimos contornar o que julgamos impossível.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Entre o espelho e a imagem reflectida

Entre o espelho e a imagem reflectida

Há momentos em que o que queremos está bem distantante do que é melhor para nos..
o mundo gira ao contrario e nos andamos em contra mão.
bebemos dos sonhos as vontades contidas.. choramos para dentro porque nenhuma lágrima ja é capaz de se soltar.
os relógios não param e nos não podemos parar também.
ha estradas a percorrer..caminhos a serem escolhidos, e sao escolhas que unicamente nos as podemos fazer...n somos donos da nossa própria vida, mas cabe nos a nos tomar as decisoes.
depois..depois é deixar a vida acontecer.
entre o espelho e a imagem reflectida...assim é o encontro, quando nos desencontramos na procura do que é realmente nosso.
Procurei encontrar algo que me fizesse encontrar...perdi me por momentos.
fiz e refiz o retrato..aquele retrato onde descobri o silencio da noite...
Quanto mais correcto é o caminho, mais obstaculos ele tem..para os ultrapassar e nos ultrapassar mos. É mesmo assim. Faz parte.
Sei que nada fiz pra que me sinta assim...mas..nem mesmo isso deixa de ter o simbolismo..uma cor. Pintar este quadro é bem mais complexo do que eu mesma possa imaginar, mas estou convencida que, seja como for, o irei terminar com as cores mais lindas que alguma vez foram vistas.

"amo te vida, mais que tudo".
‎"Imaculada...esfera que gira em torno do quadrado do meu peito. A água corre, entre o frio que gela o suor antes transpirado pelos poros do mundo que construimos, no vazio do oceano em que nos queriam afundar! UTOPIAS! Mistura química que ...absorve o silêncio dos lábios secos, outrora, molhados pela saliva de todo um amor incondicional!...Depósitos de sonhos, aqui e ali...palavras perdidas..esquecidas...neutralizadas pelo veneno de um EGO! (?) Algemas que cortam os pulsos, não os meus, porque os meus já não me pertencem mais... Corpo vazio, despido dos sentidos (sentimentos) que me deram de comer e fizeram acreditar! Não grito em raiva...grito em dor..dor que se esmaga em paredes de agonia de um dramático cenário, odiado e indesejado, mas na mesma medida de inevitável e incombatível. Se sorrir nos abre a alma, não sorrir fecha-nos dentro dela...tentativas vãs de alcançar o rumo perdido. Estilhaços do cheiro, do toque da voz cheia de ternura, que hoje assombra e queima a vontade de voltar a sentir seja o que for que possa trazer à lembrança uma molécula do passado que somos, num presente que ainda existe em mim! Aqui as paredes são frias...o chão são bocas que me engolem... a tua ausência a única presença em mim. O tempo só existe quando o bater do coração é o "tic-tac".
http://www.youtube.com/watch?v=ZElHEmrhd60