As vozes que calam para os violinos vibrarem, melódicamente, o atormentado chôro dos silêncios, tão vagabundos quanto verdadeiros...
A melodia, que suave e de ternura cheia, dá-se a ouvir...lentamente...compasso a compasso, vai crescendo numa doce dor que afaga os sentidos mais escondidos, entre as sombras do abismo secreto e sangrento!...
O vibrar das cordas que se espandem pelo meu corpo...passo a passo, abrem-se os braços, do desconhecido que me chama, que se aproxima e me abraça!
Abraça-me...abraça-me com força! Segura o meu corpo que a minha alma já partiu!
Aquece-me o sangue que insiste em continuar a passar pelo coração que bate já tão devagar...
Vou querer que me deixes...mas não me deixes já. Não sem antes conseguires sentir que a minha pele e os meus ossos, não são so pele e ossos, carne ferida pelo tempoque passou mas que me mastigou sem engolir!
Sou o que resta... nãoimporta mais o quanto valho ou o que ao certo sou...importa apenas esses violinos que choram as lágrimas que me secaram...importa o vibrar que, muito ou pouco me trazem a melodia viva de uma vida cheia, que embora dolorosa, me deu asas para poder voar.
Afasta agora lentemente o teu abraço quente do meu peito...deixa-me abrir as asas que já me fazem dores e chagas...abertas estendidas ao comprimento da vontade, sinto a leve brisa que me beija e me solta na corrente do vento, que me prende e me liberta!
Livre!....
Livre do tempo e presa à eterna melodia dos violinos tocados por anjos.
1 comentário:
http://www.youtube.com/watch?v=nGdFHJXciAQ
Enviar um comentário