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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

SR. Saber

Não sei dizer mais do que digo…


Nesta espera do dia, em que a noite,

Se desfaz no deslumbrar de um sorriso

Que passe e me trespasse,

Numa inquietude estabilizada pelo saber de um amanha certo.

Poderia dizer coisas que não sei…

Mas se eu falar do azul, sendo ele cinzento,

Não me farei sentir no Dezembro em que me encontro.

Atrevo-me a falar através da alma, para a alma…

Sabes, Sr. Saber,

Não quero a perfeição…

Quero apenas entender porque nada é perfeito.

Não posso ser mais do que serei,

Nem posso querer mais do que consigo suportar.

Levo na bagagem a solidão dos vagabundos,

O coração cheio da luz de todas as estrelas que já pude contemplar,

Através deste olhar que sustem as lágrimas de um sentir intenso da magia de todos os dias,

De todas as noites, de todas as horas…

Estou em qualquer lado,

Neste mapa das verdades feitas mentiras,

Das mentiras camufladas, feitas verdades.

Falo de mim,

Porque dos outros eu não sei o que sei de mim…

Não quero ser os olhos que só vêm…

Quero talvez apenas ser os olhos que contemplam e filtram o que me possa tornar mais completa,

Nesta humilde forma de como vejo, sinto e vivo,

Para além de mim, mas para mim.

1 comentário:

Nikita Zelin disse...

Acho que o Sr. saber já te respondeu...
"O coração cheio da luz de todas as estrelas que já pude contemplar"...
A perfeição é tão subjectiva quase como as coincidências, seja tua ou mesmo a dos que te rodeiam.
Não camufles mentiras, nem tuas nem as dos outros, apenas tens que as viver e suportar tal como os brilhos que te fazem sorrir e expressar com esse teu olhar.
Abraço