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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Sonolência

Deixa-me amar-te...preciso dar-te um pouco de mim, o que de melhor há em mim.
Sinto medo, não sei do quê nem porquê.
Sinto a minha alma a arrastar-se pelo chão frio do vazio, implorando um pouco do teu amor!
Não sei qual a razão de tanto amor por ti, não sei porque me sinto tão viciada em ti...
Não sei...
Mas quero-te tanto...Tanto!
Apetece-me gritar e chorar, mas os meus gritos são mudos e as minhas lágrimas já as chorei todas.
Queria tanto estar contigo agora...dizer-te tudo o que significas para mim e o quão especial és... Sinto-me impotente perante a razão.
...A sonolência acalma os meus sentidos...
Fecho os olhos, deixo o meu pensamento esvaziar...
Sinto a calma a apoderar-se de mim e deixo-me levar pela leveza do silêncio inebriante.
O meu espírito flutua agora na imensidão do meu interior.
É tão vasto, tão vazio...
Por todo o lado há nada. Para onde quer que olhe só vejo mesmo isso: nada!
Julguei que fosse encontrar mil e uma coisas, baralhadas e indestiguiveis, mas afinal, encontro aquilo que a minha alma insistia em dizer-me e eu recusava ouvir (...)
E agora sinto o verdadeiro vazio da mina insignificante existência.
Como posso acreditar na felicidade se tudo em mim se desvaneceu por completo?...
...Abro os olhos lentamente, agora vejo mais cores além do preto e do cinzento...
Volto a ver as paredes do meu refúgio, a sentir a cama onde todas as noites repouso o cansaço do meu corpo e da minha alma.
É bom voltar a ver o meu quarto e saber que, ao menos ele, não está tão vazio quanto eu...
Subitamente, começo a pensar novamente na razão da minha inquietude dolorosa...
Relembro-te a ti, meu anjo, e só agora consigo entender o porquê do meu vazio.

( Concurso Katarsis, escola Sec. Severim de Faria, 2001/2002 )

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