Sentes-te em baixo, farta de tudo e de todos!
Olhas-te ao espelho e sentes-te nojenta...
O teu corpo começa a gritar o nome daquela merda!
Queres resistir mas o desejo é superior.
O vício já está em ti, e o atordoamento começa a vir...
Sentes a cabeça a querer estoirar!
No pensamento só tens cenas maradas!
Algumas delas são o motivo da tua entrada neste mundo estranho:
O desaparecimento do teu pai...
A vida cruel que a tua mãe teve para te criar...
Aquela desilusão, e outra, e ainda mais outra.
E o desespero leva-te à cobardia.
Não tens poder sobre ti mesma.
Desenrolas a prata, começas a preparar as cenas...
...
E já está feito aquilo que te vai dar vinte minutos de descanso.
Acendes.
Dás uns bafos.
Sentes a dormência a percorrer o teu corpo,
e lá vais tu mais uma vez para aquele mundo maravilhoso.
Passam os vinte minutos e o descanso acabou.
Voltas à realidade que odeias,
mas desta vez a dor é maior...
Não queres viver mais assim!
Abres a janela do teu quarto.
Estás num terceiro andar bem alto.
Em quinze segundos revês a tua curta vida...
Olhas lá para baixo, e num impulso,
atiras-te à eternidade.
( Monólogo realizado para peça de teatro, na escola Sec. Severim de Faria, 2000/2001 )
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