Como a fórmula repetitiva
Dos vasos sanguíneos a incharem
E as paredes do estômago a revoltarem-se,
A sensatez escapa por entre os dedos
Das mãos que são pedras erguidas sobre a questão!
Nuvens cheias, ora de amor ora de mágoas, vindas sei lá de onde,
Mas como destino o primeiro campo em que o descanso chama,
Como se a boca não chama-se só, mas engolisse.
Vontade estéril…
Força cansada, em desespero quase constante
Do que se arrasta dentro, sem cordas que se mantenham num auxílio
Que atentamente se repara e se descuida
Em atrasos constantes porque o tempo não espera,
O tempo não tem tempo,
O tempo no instante em que está a ser já foi.
Um olhar à volta e uma plateia adormecida,
Mal tratada pela repetição dos actos.
Não interessa o sentido.
O sentido perde-se sempre que encontrado…
Vem a questão sob a questão,
Porque não há o ponto final, mas sempre as reticências.
Aqui tudo se perde ou tudo se ganha,
Depende da janela em que se foca.
Um segundo pode ser a eternidade voltada do avesso.
Não é que seja invisível,
É simplesmente porque não existo…
Não existo aqui porque estou noutro lugar,
Esse lugar em que me tenho
Porque lá tudo é amor…
Entre o espelho e a imagem reflectida.
1 comentário:
A minha afilhadinha está feita uma poeta ;)
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